Reforma tributária: o que muda para empresas e para o bolso do trabalhador
A reforma tributária brasileira não chegou de uma vez. Ela está sendo implementada em etapas, e as primeiras mudanças já começaram a aparecer nos balanços de empresas e nas declarações de trabalhadores. O que parecia abstrato quando foi aprovado agora tem endereço e CPF.
Para as empresas do setor de serviços — o que mais emprega no Brasil — a transição para o IBS e a CBS está criando uma necessidade urgente de revisão do planejamento fiscal. Escritórios de contabilidade relatam aumento de 40% na demanda por consultoria tributária nos últimos seis meses.
O que muda na prática
A unificação de tributos sobre consumo simplifica, em teoria, o sistema. Na prática, a fase de transição é complexa. Empresas precisam operar com dois sistemas simultaneamente — o antigo e o novo — até que a migração seja completa, prevista para 2033.
"A reforma é boa no longo prazo. No curto prazo, é um pesadelo de compliance." — Diretor financeiro de empresa de tecnologia, São Paulo
Para o trabalhador
A promessa de desoneração da folha de pagamentos ainda não se materializou de forma ampla. Mas alguns setores já sentiram alívio. Empresas de tecnologia da informação, por exemplo, viram sua carga tributária sobre a folha reduzir em até 12% — o que, em tese, deveria se traduzir em mais contratações ou melhores salários.
O impacto no consumidor final é mais difuso. A promessa de que a reforma reduziria o preço de produtos básicos ainda aguarda confirmação nos dados de inflação. O IPCA de junho não mostrou queda expressiva nos grupos mais afetados pela mudança tributária.
O que dizem os economistas
Há consenso de que a reforma era necessária. O debate está na velocidade e na forma da transição. Economistas mais otimistas projetam ganho de 12% no PIB ao longo de 15 anos. Os mais cautelosos lembram que o Brasil já aprovou reformas que não entregaram o prometido.
O que é certo: o sistema tributário brasileiro estava entre os mais complexos do mundo. Qualquer simplificação, mesmo imperfeita, representa um avanço. A questão é se a execução vai acompanhar a ambição do texto aprovado.