Os quatro maiores bancos brasileiros — Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander — divulgaram resultados do segundo trimestre acima das estimativas do mercado. O lucro líquido consolidado dos quatro somou R$ 28,4 bilhões no período, alta de 11% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
O desempenho foi impulsionado pela margem financeira robusta — beneficiada pela Selic elevada — e pela inadimplência controlada. A taxa de inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,1% na média do setor, abaixo dos 3,6% registrados um ano antes.
Analistas esperavam pressão maior nas provisões para devedores duvidosos, mas os bancos conseguiram manter a qualidade da carteira de crédito. O crescimento do crédito consignado e do financiamento imobiliário — ambos com menor risco de inadimplência — ajudou a equilibrar o portfólio.
Itaú foi o destaque positivo, com ROE (retorno sobre patrimônio) de 22,4% — o maior entre os pares. O banco tem conseguido crescer em crédito sem deteriorar a qualidade dos ativos, o que é raro no ciclo atual.
A dependência da margem financeira em ambiente de juros altos é um risco. Quando a Selic cair — e ela vai cair em algum momento — os bancos precisarão compensar com volume ou com eficiência. Nenhum dos quatro grandes mostrou, até agora, um plano claro para esse cenário.
Além disso, a concorrência dos bancos digitais continua crescendo. Nubank, Inter e C6 Bank ganham participação em segmentos que antes eram cativos dos grandes bancos. A guerra pelo cliente de varejo está longe de terminar.